No centro da denúncia está, mais uma vez, Júlio Costa, Presidente da Associação de Segurança Pública de MG - Movimento Agentes Fortes. No dia 20 de abril, diretamente da Cidade Administrativa de Minas Gerais, ele voltou à linha de frente e elevou o tom.
Segundo ele, enquanto o governo tenta produzir factóides como a entrega de viaturas via emenda parlamentar, a realidade nas unidades prisionais é de abandono, pressão e, agora, suspeita de contaminação por facções criminosas.
A denúncia mais grave aponta para um relatório de inteligência que teria sido simplesmente ignorado.
O documento, produzido pela própria estrutura de inteligência do sistema prisional (RELINT), traria evidências de que um policial penal ocupando cargo de direção em unidade de Uberaba estaria em convivência direta com pessoas ligadas ao Primeiro Comando da Capital.
Não se trata mais de "suposições". Segundo o que foi apresentado, há fotos.
Registros de encontros, momentos de lazer, proximidade íntima. Um diretor de presídio — figura que deveria ser a linha de contenção contra o crime — sendo flagrado em ambiente de convivência com familiares de um integrante de facção.
E não para por aí.
De acordo com o relatório, a mulher que aparece ao lado do diretor seria irmã de um detento apontado como membro do grupo criminoso, preso em unidade no Norte de Minas.
A pergunta que explode dentro da segurança pública é simples e devastadora: Como isso não gerou reação imediata do Estado? Quem mais estaria ganhando com isso?
A denúncia de Júlio Costa vai além do fato. Ela atinge o comportamento institucional. Segundo ele, os relatórios foram encaminhados à Secretaria responsável. Foram protocolados. Foram formalizados. E, ainda assim, nada aconteceu.
Nenhuma medida visível. Nenhuma resposta pública. Nenhuma ação concreta. Silêncio.
E, neste caso, o silêncio não é neutro, é suspeito.
A partir daí, a crise ganha outra dimensão:
Quem recebeu esses documentos? Quem segurou? Por quê? Houve interferência?
Houve proteção?
Há, segundo o movimento, relatórios com quase um ano sem qualquer providência. Um ano. Em um cenário que envolve possível ligação entre crime organizado e direção de unidade prisional.
Enquanto isso, o discurso oficial segue na superfície. O governador Mateus Simões fala em "combate ao crime organizado". Mas, nos bastidores, a denúncia é de que o próprio sistema pode estar falhando, ou pior, fechando os olhos.
Para quem está dentro da estrutura, o sentimento é de revolta. A base trabalha sob pressão, risco e desgaste extremo, enquanto decisões críticas parecem simplesmente não acontecer.
A leitura é dura, mas inevitável: Não se combate o crime organizado ignorando relatórios de inteligência. Não se protege o sistema fingindo que não viu. E não se sustenta um discurso de enfrentamento quando há suspeitas de que o problema já atravessou a porta da própria instituição.
À nossa reportagem, Associação Movimento Agentes Fortes afirma que vai até o fim.
E, neste caso, “'até o fim' não é figura de linguagem. É exigência."- Afirma Júlio Costa.
Porque, se essas denúncias se confirmarem, não se trata mais de falha administrativa. Se trata de algo muito mais grave: Um sistema vulnerável. E possivelmente comprometido.

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