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MINAS PODE PERDER R$ 200 MILHÕES POR NÃO GARANTIR ACESSO A RECURSOS DO AUDIOVISUAL

Economia

MINAS PODE PERDER R$ 200 MILHÕES POR NÃO GARANTIR ACESSO A RECURSOS DO AUDIOVISUAL

Talvez o governo precise aprender a fazer contas.

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Minas Gerais está diante de uma decisão que, mais do que orçamentária, revela um problema de visão administrativa. Para acessar R$ 22 milhões do Fundo Setorial do Audiovisual, o estado precisa garantir uma contrapartida de R$ 5,5 milhões dentro do programa Arranjos Regionais, vinculado ao Ministério da Cultura. Sem esse valor, o recurso federal não é liberado.

A regra é simples. Ou o estado entra com a parte dele, ou perde tudo.

E é justamente nessa simplicidade que a situação se torna constrangedora.

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O modelo do Fundo Setorial do Audiovisual foi criado para descentralizar investimentos e fortalecer economias regionais. Funciona assim, o governo federal disponibiliza recursos robustos, mas exige que estados e municípios participem com uma parcela menor, garantindo compromisso local e ampliando o impacto. Na prática, é uma parceria. A União coloca a maior parte do dinheiro, o estado entra com uma fração e, a partir daí, editais são abertos para financiar produções audiovisuais.

Esses editais não são abstratos. Eles viabilizam filmes, séries, documentários, animações e conteúdos que movimentam uma cadeia produtiva extensa. Cada projeto aprovado gera contratação de equipes técnicas, artistas, empresas de som, iluminação, transporte, alimentação, hospedagem. Uma única produção pode envolver dezenas, às vezes centenas de profissionais.

O dinheiro circula. E circula rápido.

Quando esse mecanismo é acionado, o impacto se espalha para além do setor cultural. Hotéis recebem equipes, restaurantes aumentam movimento, locações valorizam cidades, prestadores de serviço são demandados. O audiovisual, nesse contexto, funciona como um vetor de desenvolvimento econômico, não como despesa isolada.

É por isso que os dados da Fundação Getulio Vargas chamam atenção. Segundo a instituição, cada real investido em cultura no Sudeste gera, em média, R$ 7,53 na economia. Aplicando essa lógica ao caso mineiro, os R$ 27,5 milhões totais poderiam ultrapassar R$ 200 milhões em movimentação econômica.

Não é um cálculo otimista. É uma média consolidada.

Diante disso, a decisão de não investir R$ 5,5 milhões passa a ter outro nome. Não é contenção, não é ajuste, não é austeridade. É recusa de receita potencial. É abrir mão de um mecanismo que multiplica dinheiro em nome de uma economia que, no fim das contas, não se sustenta.

A gestão de Romeu Zema construiu sua imagem em torno da ideia de eficiência e austeridade. O discurso é conhecido, gastar menos, fazer mais, evitar desperdícios. No papel, parece irretocável. Na prática, decisões como essa colocam em dúvida a capacidade de transformar discurso em estratégia real.

Porque há uma diferença clara entre cortar gastos e saber investir.

Recusar R$ 22 milhões para evitar um aporte de R$ 5,5 milhões não é um movimento sofisticado de gestão. É uma conta básica que não fecha. Em qualquer ambiente empresarial, uma decisão desse tipo dificilmente passaria por uma análise mínima de viabilidade. É o equivalente a rejeitar um investimento de alto retorno garantido para preservar caixa no curto prazo, mesmo sabendo que isso compromete crescimento.

E o impacto não é teórico.

Sem a contrapartida, os editais não acontecem. Sem editais, não há produção. Sem produção, não há contratação. Profissionais ficam sem trabalho, empresas perdem projetos, a cadeia produtiva encolhe. O audiovisual não funciona na base da improvisação. Ele depende de financiamento estruturado. Sem isso, simplesmente para.

Há ainda um efeito silencioso, mas inevitável, a migração de talentos. Profissionais qualificados não ficam esperando indefinidamente. Eles se deslocam para onde há investimento e oportunidade. Estados como São Paulo e Rio de Janeiro seguem absorvendo grande parte da produção nacional. Pernambuco se consolidou como referência justamente por manter políticas consistentes para o setor.

Minas, nesse cenário, assiste.

Não por falta de capacidade, não por falta de mercado, mas por ausência de decisão.

A insistência em tratar cultura como gasto secundário ignora um ponto central, o audiovisual é indústria. Gera emprego, renda, arrecadação indireta e posicionamento econômico. Ignorar isso não é uma escolha neutra. É uma escolha que cobra preço.

E esse preço aparece rápido. Menos produções, menos circulação de dinheiro, menos oportunidades. Um estado que poderia estar captando recursos externos e ampliando sua atividade econômica opta por se retirar do jogo.

A pergunta que fica não é apenas por que Minas não investe. A pergunta é se há, de fato, capacidade de reconhecer oportunidades quando elas são evidentes.

Porque neste caso, não há complexidade técnica, não há incerteza, não há risco elevado. Há um investimento relativamente pequeno com retorno potencial expressivo e já comprovado.

Ainda assim, a decisão caminha para o não.

Se confirmada, será difícil sustentar o discurso de eficiência. Não diante dos números. Não diante do impacto. E, principalmente, não diante da simplicidade da escolha que está sendo ignorada.

Minas Gerais não está diante de uma encruzilhada complexa. Está diante de uma oportunidade clara.

E, ao que tudo indica, prestes a deixá-la passar.

FONTE/CRÉDITOS: Redação Rede Ultra TV
FONTE/CRÉDITOS (IMAGEM DE CAPA): Edilson Dantas/Agência O Globo
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