Governar Minas Gerais nunca foi tarefa simples. Um estado gigante, com realidades regionais completamente distintas e uma herança fiscal que atravessa governos. Ainda assim, quando assumiu o Palácio Tiradentes em 2019, o governador Romeu Zema prometeu algo que seduziu parte do eleitorado: gestão técnica, austeridade e eficiência.
Passados alguns anos, a realidade mostra que nem tudo cabe dentro do discurso.
Nos últimos meses, uma das críticas mais contundentes ao governo tem vindo justamente de dentro da própria estrutura estatal: as forças de segurança. Representantes de policiais civis, militares e penais têm apontado déficit de efetivo, salários defasados e carência de investimentos em equipamentos e tecnologia. Em alguns casos, há denúncias de viaturas sem rádio de comunicação e computadores com mais de uma década de uso — um retrato que contrasta com a narrativa de modernização do Estado.
A Polícia Civil, por exemplo, enfrenta um déficit estimado em cerca de 35% do efetivo ideal. O problema não nasceu neste governo, é verdade. Mas a cobrança é clara: quem assume o comando também assume a responsabilidade de buscar soluções.
Outro ponto que alimenta o debate político é a situação fiscal do estado. Minas deve encerrar o mandato atual com um déficit superior a R$ 11 bilhões nas contas públicas. O número não significa necessariamente colapso financeiro, mas enfraquece um dos pilares do discurso político de Zema: o da gestão fiscal exemplar.
E aqui reside um dilema clássico da política: discurso e realidade raramente caminham na mesma velocidade.
É inegável que o governo apresenta indicadores positivos em algumas áreas, sobretudo em segurança pública, onde estatísticas apontam redução de determinados crimes. Mas também é impossível ignorar o desgaste crescente com servidores e categorias estratégicas do Estado.
Em política, percepções muitas vezes pesam tanto quanto números.
Com os olhos voltados para o cenário nacional e para a disputa presidencial de 2026, Romeu Zema tenta consolidar sua imagem como gestor eficiente. A questão que começa a surgir em Minas é outra: até que ponto os mineiros compartilham dessa mesma percepção?
Comentários: