O avanço das facções criminosas no Brasil deixou de ser um problema apenas policial há muito tempo. Hoje, trata-se de um fenômeno que ultrapassa fronteiras, movimenta bilhões e desafia diretamente o poder do Estado. PCC e Comando Vermelho não são apenas organizações criminosas tradicionais — são estruturas que controlam territórios, intimidam comunidades e espalham medo de norte a sul do país.
Diante desse cenário, causa estranheza a postura do governo brasileiro ao tentar evitar que os Estados Unidos classifiquem essas facções como organizações terroristas. A articulação diplomática do Itamaraty, revelada em conversas com autoridades americanas, levanta uma pergunta inevitável: qual é o interesse do Brasil em barrar essa classificação?
Para grande parte da população que convive diariamente com a violência nas periferias e grandes centros urbanos, a resposta parece simples: se essas facções aterrorizam cidades inteiras, promovem ataques coordenados contra forças de segurança e mantêm uma estrutura quase paramilitar, por que não tratá-las como o que de fato parecem ser?
Mais do que discutir nomenclaturas, a questão central deveria ser outra: por que não aproveitar o interesse internacional para fortalecer o combate a essas organizações? Em vez de tentar frear o debate, o governo brasileiro poderia enxergar uma oportunidade de cooperação estratégica com os Estados Unidos, compartilhando inteligência, tecnologia e recursos no enfrentamento ao crime organizado.
O combate às facções exige união de esforços, não cautela diplomática excessiva. O Brasil enfrenta um inimigo poderoso, bem financiado e cada vez mais internacionalizado. Ignorar essa realidade ou minimizar sua gravidade apenas fortalece quem lucra com o caos.
Se o objetivo é realmente enfraquecer o crime organizado, talvez a pergunta que precise ser respondida seja ainda mais direta: por que o governo brasileiro parece mais preocupado em evitar um rótulo do que em aproveitar uma possível aliança para combater essas facções?
Porque, para quem vive refém da violência, pouco importa o nome dado ao problema. O que importa é enfrentá-lo.
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